Vacinar alergias

Vacinar alergias

As doenças alérgicas resultam da hipersensibilidade a substâncias comuns do meio ambiente, que não provocam reacção a pessoas não alérgicas.

A alergia pode afectar qualquer órgão. As doenças alérgicas mais frequentes são a conjuntivite (quando afecta o olho), a rinite (nariz), a asma (brônquios), o eczema e a urticária (pele). Por vezes a reacção é global: falamos então de anafilaxia. Esta situação pode pôr a vida em risco, se não houver uma intervenção terapêutica rápida e eficiente. Entre os causadores destas doenças, os ácaros do pó da casa, os pólenes, os epitélios dos animais e os alimentos estão na linha da frente. Muitas outras substâncias podem provocar reacções alérgicas. Os fungos, certos medicamentos (antibióticos e anti-inflamatórios), o veneno das abelhas e das vespas, ou o látex. Existem três níveis de intervenção para controlar a doença: • O primeiro, a evicção. Afastar o doente da substância que lhe causa a doença. Infelizmente, tal só é possível em situações muito particulares, quando a alergia se confina a um elemento fácil de evitar (por exemplo, uma alergia única a um alimento, facilmente retirável da alimentação) • O segundo nível é o controlo medicamentoso. Há medicamentos extremamente eficazes, que controlam os sintomas e permitem ao doente ter uma vida de qualidade • Uma terceira opção é a imunoterapia específica, conhecida como vacinação antialérgica. Esta opção é a única capaz de modificar o curso natural da doença alérgica. Controla e trava a progressão natural, reeducando o sistema imunitário de modo a deixar de reagir, ou reagir menos, aos elementos a que é alérgico. Como funciona o tratamento? Após a identificação dos alergénios responsáveis pela alergia, são elaborados extractos específicos administrados em intervalos regulares por dois períodos: em doses crescentes no período de indução; numa dose constante de manutenção, mais espaçada, durante três a cinco anos Inicialmente (há mais de cem anos), as vacinas eram administradas por via subcutânea. Recentemente, passaram a ser administradas por via oral, através de comprimidos ou gotas sublinguais. As vacinas sublinguais têm a mesma eficácia que as subcutâneas. Apesar de serem mais caras, têm vantagens significativas: evitam injecções regulares, podem ser feitas no domicílio, são mais cómodas, mais seguras, com menos efeitos secundários e dispensam deslocações regulares às unidades de saúde. •

 

Artigo da Revista Sauda Setembro 2019


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